Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Partiu o Joaquim Mestre

 



 

O Joaquim Mestre partiu ontem à noite. Partiu um autor desta casa, mas - mais, muito mais - partiu um amigo. Recordamos o Joaquim Mestre como um amigo, bom conversador, bom anfitrião. E recordamo-lo como um grande escritor. Reinventor de um universo onírico na linha de Juan Rulfo ou García Márquez, os seus livros recuperavam de forma singular o imaginário rural alentejano, as primeiras décadas do século passado, os hábitos, as lendas e as crenças das pessoas, os seus medos, os seus ditos, as formas possíveis de felicidade às gentes do campo, criando páginas de rara beleza, escritas numa linguagem poética de grande originalidade. Disso são exemplo os romances “O Perfumista” e “A Imperfeição do Amor” e o livro de contos “Breviário das Almas”, que a Oficina do Livro muito se orgulha de ter publicado.

Os últimos tempos não foram fáceis para o Joaquim, para a sua família. O último livro, “Breviário das Almas”, saiu há apenas dois meses, depois de ter ganho a última edição do Prémio Manuel da Fonseca. O lançamento foi adiado por duas vezes, pois, apesar de toda sua força de vontade do Joaquim, a sua saúde já não lho permitia. As últimas reuniões aconteceram no Serviço de Hematologia do Hospital de Santa Maria, onde o Joaquim se deslocava várias vezes por semana para receber tratamento e onde tivemos as últimas reuniões de trabalho.

Também um profissional exemplar. Pela biblioteca que dirigia – Biblioteca Municipal José Saramago, em Beja – passaram todos os grandes escritores portugueses e muitos estrangeiros, levando a cultura e o amor pelos livros ao Alentejo profundo, contribuindo como poucos para a difusão da leitura em Portugal (recordo: num curso de pós-graduação que frequentei, a Biblioteca de Beja era frequentemente apresentada como o grande exemplo a seguir).

Partiu um homem bom, partiu um amigo, partiu um grande escritor. Vamos ter saudades do teu “Então, olha lá…” Não fizeste o grande vinho que ansiavas, nesse Portugal onde, dizias, “as pessoas andam com o sol nas mãos e a lonjura no olhar, mas escreveste páginas singulares.

A editora partilha com a Lígia, com os filhos, com a família estes momentos difíceis.

Um abraço, Joaquim, muito grande, do tamanho do teu Alentejo, ou maior ainda, e de toda a equipa da Oficina do Livro.

Marcelo Teixeira
publicado por Oficina do Livro às 16:28
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1 comentário:
De publicidade internet a 7 de Janeiro de 2010 às 13:12
Grande escritor, sem duvida

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