Sexta-feira, 21 de Março de 2014

«Nove Semanas e Meia», de Elizabeth McNeill, a 8 de abril

 

Quebraram todas as regras

 

Esta é uma história de amor tão pouco frequente, tão apaixonada, tão extrema e tão real que o leitor não pode deixar de seguir, fascinado, o seu desenvolvimento ritual. Duas pessoas cultas, civilizadas e independentes conhecem-se um dia por acaso numa rua de Nova Iorque, um domingo de maio nos anos setenta, e iniciam uma relação que em breve se tornará uma experiência sadomasoquista de rara intensidade. Desde o início, estabelecem espontaneamente entre eles estímulos sexuais que obedecem a um ritual instintivo de dominação e humilhação, ritual que é aceite primeiro com surpresa e depois com prazer genuíno, pela autora desta história chocante. Naturalmente, à medida que a relação progride, o casal embarca em jogos cada vez mais elaborados e sofisticados que, após nove semanas e meia, conduzem a mulher a uma absoluta falta de controlo do seu corpo e mente.

 

A verdadeira história de submissão sexual que inspirou o filme de culto: uma história perturbadora e fascinante, uma obra-prima da literatura erótica, que irá prendê-lo até à última página...

 

 

«Para lembrar aos amadores que o sexo SM pode ser um tema respeitável para um romance, se escrito de forma seca e inteligente.»

Libération

 

«(…) No cerne da questão de um dos romances mais escaldantes das últimas décadas: o sexo sadomasoquista, sim, claro, mas principalmente o amor que o rodeia, que o autoriza,

que até o encoraja.»

Les Inrocks

 

 

Elizabeth McNeill é o pseudónimo de Ingeborg Day, nascida em Graz, na Áustria, em novembro de 1940, tendo emigrado depois para os Estados Unidos. Suicidou-se em 2011, levando com ela o mistério de uma ligação erótica extrema que ainda fascina o mundo.

Artigo da revista New Yorker sobre a verdadeira mulher por detrás de «Nove Semanas e Meia»

http://www.newyorker.com/online/blogs/books/2012/11/who-was-the-real-woman-behind-nine-and-a-half-weeks.html

Posfácio da filha da Autora

 

Posfácio de Ursula Day

para

NOVE SEMANAS E MEIA

de Elizabeth McNeill

 

 

 

Naquele verão, eu tinha ido passar as férias a casa da minha avó. Quando voltei para Nova Iorque em setembro, para começar as aulas, a minha mãe parecia bem. Ia trabalhar todos os dias, víamos os amigos ao fim de semana; não havia nada fora do comum. Cerca de semana e meia depois, ela desatou a chorar mas não quis dizer o que se passava. Continuou a chorar todo o dia seguinte. Liguei para duas das suas amigas do trabalho e elas vieram visitá-la, para ver como estava. Juntas, levámo-la para o hospital, onde o diagnóstico foi que estava deprimida e precisava de tratamento psicológico. Sofrera de depressão grave dois anos antes, após as mortes seguidas do filho, da mãe e do pai. Amigos e familiares partiram do princípio de que o seu colapso emocional repentino estava novamente relacionado com as tragédias familiares. A minha mãe não contou a ninguém a verdadeira razão do seu colapso. Quando se tornou evidente que precisava de permanecer hospitalizada durante algum tempo, a minha família decidiu que era melhor eu ir viver com a minha avó. Depois de dois meses no hospital, a minha mãe recuperou e voltou ao seu trabalho como editora numa revista. A vida continuou como antes e ela nunca falou sobre o que realmente tinha acontecido.

  Também ninguém sabia que ela tinha começado a escrever um livro de memórias sobre o caso. Seis meses mais tarde, em 1976, o editor Henry Robbins contactou-a por causa de um artigo de revista que ela tinha escrito sobre a morte do filho. Ele foi o único editor a quem ela mostrou o manuscrito de Nove Semanas e Meia e ele decidiu imediatamente publicá-lo. Ele e a agente dela, Wendy Weil, eram as únicas pessoas que sabiam a sua verdadeira identidade. Os três fizeram um pacto secreto, a fim de me proteger de qualquer trauma emocional que o livro pudesse causar. Todos os documentos legais foram preenchidos com o pseudónimo da minha mãe, Elizabeth McNeill. Durante muitos anos, nem os amigos mais próximos nem a família foram informados.

Descobri o livro por acaso, quando tinha dezanove anos. A minha mãe e eu estávamos na sua cidade natal, Graz, na Áustria, no Festival de Outono da Estíria, para ela ler trechos de Ghost Waltz, o seu livro de memórias onde contava como conseguira aceitar o passado de guerra do pai. A minha mãe tinha confiado ao irmão a sua autoria secreta do Nove Semanas e Meia. Um dia, a namorada do meu tio apontou alegremente para a tradução alemã do livro na montra de uma livraria, exclamando: «Ali está ele!». Pensou que eu iria ficar encantada, mas senti-me confusa e magoada por não ter sido incluída num grande segredo. A minha mãe sentou-se comigo e suavizou a situação, dizendo que me achara demasiado jovem para saber do que o livro tratava, na altura em que Nove Semanas e Meia foi originalmente publicado. Disse que estava aliviada por eu finalmente saber e ansiosa por partilhar a sua felicidade sobre o filme que estava a ser rodado; voltámos a ser as melhores amigas. O tema do livro ainda era muito preocupante para mim. Decidi adiar a sua leitura até depois da estreia do filme. Na altura eu tinha vinte e três anos e a minha mãe até me disse quem era o homem.

Até começar a escrever este posfácio, não me tinha dado conta do esforço que devia ter sido necessário para manter tudo aquilo em segredo. A minha mãe esforçou-se bastante por assegurar que a minha adolescência não incluiria perguntas ofensivas e constrangedoras dos colegas de turma, dos professores ou dos vizinhos. Olhando para trás, estou sensibilizada e impressionada com a coragem que ela teve para viver toda a experiência sozinha. Estou orgulhosa de que ela tenha encontrado a força interior para deixar o amante e a situação abusiva em que o romance se tinha tornado. Estou muito grata pela sua determinação em não me fazer sofrer, tal como ela sofrera. Sinto-me consolada e inspirada pelo seu legado: prova que, mesmo depois de tempos muito difíceis, todos podemos ter uma palavra a dizer nos nossos destinos, que temos uma escolha.

 

                                                             Ursula Day

                                                             Fevereiro de 2014

 

publicado por Oficina do Livro às 09:35
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