Sexta-feira, 17 de Junho de 2011

«O Pregado», de Günter Grass


 


O Pregado traça um panorama da história germânica, com comicidade e sem pudores, dando ênfase nas relações conjugais entre o homem e a mulher e a evolução alimentar. O livro é narrado na primeira pessoa e inicia-se ainda no Neolítico, quando a mulher subjugava o homem, e termina na tumultuada Polónia da década de 1970. A personagem principal, que reencarna de geração em geração, possui 9 esposas referentes a cada época da sua vida incomum.


No início de sua trajectória, o homem pesca um pregado, um estranho peixe falante que o acompanha e aconselha durante os tempos. É o pregado que incita o homem a manusear o metal e com ele desvincular-se do poder feminino, e é também o pregado que o encoraja a criar guerras e supremacias.


A verdadeira intenção de Grass com esse livro foi reaproximar a figura masculina e feminina, deixando claro que apenas a sabedoria de ambos unida é que construirá um sistema justo. Este romance com cheiro a ensaio antropológico e sociológico faz-nos reflectir no papel dos sexos em cada época e em como esse papel poderá transformar-se no futuro, sem repetir os erros do passado.


Dividido em 9 capítulos, cada um relativo a um mês de gestação, O Pregado é um livro magistralmente escrito e conduzido. Günter Grass inova a literatura ao unir elementos da mitologia alemã, da sabedoria popular, e das concepções vanguardistas feministas. Usa poesias no meio de sua prosa, o que a torna singular e excepcionalmente original.


 


 



Günter Grass nasceu em Danzig (actual Gdansk, Polónia), em 1927. Distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, em 1999, é um dos autores alemães contemporâneos mais conhecidos e celebrados. Depois da Segunda Guerra Mundial, começa por estudar artes gráficas e escultura, primeiro em Düsseldorf, depois em Berlim.


Em 1959, o seu romance O Tambor dá-lhe notoriedade internacional, ao mesmo tempo que desencadeia nos meios alemães um aceso debate sobre a guerra e a herança nazi. O Tambor foi adaptado ao cinema por Volker Schlönder, arrebatando o Óscar de melhor filme estrangeiro de 1979. Os dois livros seguintes – O Gato e o Rato e O Cão de Hitler – completam a chamada «Trilogia de Danzig».


Com uma escrita sensual e plena de humor, por vezes apelando à fantasia e ao delírio surrealista, Grass é ainda autor de títulos como A Ratazana, Mau Agoiro, Uma Longa História, A Passo de Caranguejo, O Meu Século e mais recentemente a sua polémica biografia Descascando a Cebola.

publicado por Oficina do Livro às 16:30
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